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9 de agosto de 2015

Investigação - A fibromialgia duplica o risco de acidentes rodoviários



A investigação levada a cabo sugere que os condutores diagnosticados com fibromialgia parecem ter um elevado risco de se envolverem em acidentes de tráfego, mesmo anos após o diagnóstico inicial.

O estudo foi publicado no "Journal of Rheumatology" e descobriu que os indivíduos com fibromialgia têm mais do dobro do risco de se envolverem em acidentes de automóvel sérios, que os levem às urgências de um hospital, quando comparados com a população como um todo.

"Isto não se trata de pequenos acidentes de bate-chapa", diz o investigador principal, Dr. Donald Redelmeier, um cientista sénior no "Institute for Clinical Evaluative Sciences - ICES", em Toronto, Canadá.

A fibromialgia é uma síndrome que afecta, pelo menos, 400.000 canadianos embora os números possam ser mais altos. A condição, que perturba a função nervosa, causa sintomas diversos e flutuantes como dor muscular, insónia ou rigidez articular.

Não existe uma cura conhecida mas os sintomas podem ser tratados com medicação, mudanças no estilo de vida e gestão de stress. A causa exacta é desconhecida mas, nalguns casos, o trauma causado por um acidente automóvel já foi ligado ao posterior aparecimento de sintomas.

Usando dados do arquivo hospitalar e outros, o estudo abordou 137.631 adultos com fibromialgia, em Ontário, entre o período de 1 de Abril de 2006 até 31 de Março de 2012.
O estudo descobriu que os fibromiálgicos contaram 1.566 acidentes rodoviários sérios durante o ano anterior ao diagnóstico. No ano a seguir ao diagnóstico o grupo esteve envolvido em 738 colisões.
O Dr. Redelmeier diz que estes pacientes não são, necessariamente, os causadores dos acidentes - a análise feita não contemplou a culpa -  e que não há maneira de determinar se os sintomas como dor, rigidez ou fadiga podem tornar mais difícil "evitar um acidente provocado por outra pessoa".
"Muitos estudos já examinaram a fibromialgia como consequência de um acidente automóvel. Este é o primeiro, de que tenhamos conhecimento, com o objectivo de testar a ideia de que pode ser a condição médica a contribuir para um acidente de tráfego."

O estudo determinou que o risco para os condutores com fibromialgia é aproximadamente de 5 acidentes por 1000 indivíduos por ano, comparando com 2 acidentes por 1000 indivíduos por ano na restante população.

"Se o paciente tiver uma condição psiquiátrica coexistente, tal como a depressão, o risco é particularmente alto", acrescentou.

No entanto, os que recebem cuidados apropriados para o tratamento da fibromialgia tal como actividade física, e tratamento para melhorar o sono, tratar a depressão e controlar a dor, conseguem reduzir o risco de danos físicos. "Descobrimos que isso é eficaz", diz o Dr. Redelmeier. "Não até ao ponto de estes indivíduos poderem ser incluídos na norma para a população mas causando uma mudança significativa e reduzindo o risco de se envolverem num acidente trágico. Conclui-se que o tratamento médico é eficaz para mitigar - mas não normalizar completamente - os acidentes rodoviários para estes pacientes."

A fibromialgia não está entre as condições médicas, como a epilepsia e a narcolepsia, incluídas no guia para restrições à condução mas, atendendo à disfunção de capacidade que provoca nalgumas pessoas, os investigadores sugerem que os médicos considerem o reforço de mensagens sobre a segurança rodoviária.

"Se tem fibromialgia, isso não significa que não possa conduzir. No entanto as sugestões básicas de segurança devem ser reforçadas: use sempre um cinto de segurança, respeite o limite de velocidade, assinale as suas manobras e minimize ao máximo qualquer tipo de distração. Nunca, mas nunca, use um telemóvel enquanto conduz", diz o Dr. Redelmeier.
O Dr. John Pereira, um especialista em dor da Universidade de Calgary, co-autor das Normas de Tratamento da Fibromialgia, no Canadá, em 2013, disse que este estudo é inovador e que vai, certamente, conduzir a conversações necessárias sobre a segurança na condução entre médicos e pacientes com fibromialgia.
"Alguns pacientes com esta condição sofrem de sono não reparador e pouca concentração para o período diurno, o que pode explicar o maior risco de acidentes de tráfego", disse o Dr. Pereira que não esteve envolvido neste estudo. "Não podemos deixar de dar ênfase às centenas de canadianos com fibromialgia que conduzem em segurança, todos os dias", reforçou.
"O nosso desafio agora é identificar, proactivamente, os pacientes sujeitos a um maior perigo, já que o estudo também determinou que os tratamentos indicados para a fibromialgia ajudam a diminuir este risco."
por Sheryl Ubelacker, The Canadian Press
artigo revisto a 24 de Julho de 2015
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