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30 de junho de 2015

E quando falta a motivação?


Este texto foi escrito por Donna Grant que foi diagnosticada com fibromialgia em 2013 e decidiu, nessa altura, fazer um blog sobre a vida com uma doença crónica. Tem o hábito de partilhar a sua jornada e as estratégias que usa para conviver melhor com a fibromialgia. As suas publicações podem ser encontradas no blog Fibro Geek.



A motivação é muito engraçada. Às vezes não falta e outras vezes abandona-nos completamente. Manter a motivação é importantíssimo quando se tem uma doença crónica, como a fibromialgia. É a força que nos mantém a seguir em frente, mesmo quando preferíamos desistir. Quando se está motivado arranja-se sempre maneira de atingir objectivos, por pequenos que sejam.

Perder a motivação acontece a toda a gente, num ou noutro ponto, saudável ou não. De qualquer forma, penso que é justo dizer que acontece mais a quem tem uma doença crónica. De cada vez que vivemos uma crise, a fadiga e o nevoeiro cerebral podem dificultar muito a conclusão das tarefas mais simples. Quando nos sentimos como se não conseguíssemos fazer nada, é muito fácil perder a motivação para tentar.

Também existem situações em que a motivação existe mas a energia física não. Talvez exista o desejo de fazer alguma coisa que fisicamente não se consegue. Isto pode ser terrivelmente frustrante. O que podemos fazer quando nos sentimos sem motivação?


1. Permita-se a si próprio expressar os seus sentimentos

Este é o primeiro conselho porque penso que é realmente importante. Quando perdemos a motivação podemos sentir uma grande variedade de emoções, desde sentirmo-nos frustrados até inúteis. Eu costumava guardar todas as minhas emoções e disfarçar o que realmente sentia, pondo a "máscara da coragem" e mantendo-me positiva.
Positivismo é fantástico, mas é ainda melhor depois de encararmos e resolvermos os nossos sentimentos. Guardar tudo não é saudável. Tente abrir-se e falar com alguém em quem confie sobre como se sente. Se não o conseguir fazer, pelo menos escreva. Escrever o que sentimos é uma óptima ferramenta para processar os pensamentos.


2. Olhe para o passado e ponha as coisas em perspectiva

Por vezes os dias bons fazem parecer os dias maus ainda piores. Quando nos sentimos bem e motivados e, de um momento para o outro, passamos por uma crise, pode parecer que alguém nos deu um murro no estômago. É importante manter as coisas em perspectiva. Lembre-se de que tudo vai melhorar, com o tempo. Olhe para o passado e pense nas estratégias que usou para ultrapassar as crises anteriores. Pense que pode voltar a usá-las! Use o que resultou em situações passadas para o ajudar a motivar-se para ultrapassar aquela em que se encontra.


3. Permita-se uma pausa

Frequentemente, a exaustão leva-nos à desmotivação. Não há nada de errado em parar e fazer uma pausa. Isto é ainda mais importante se viver com uma doença crónica e mais ainda se a motivação estiver a desaparecer por causa de uma crise. Às vezes precisamos mesmo de darmos uma folga a nós próprios, diminuir o ritmo e fazer uma pausa. Não podemos desvalorizar que conseguirmos gerir a nossa doença, é um trabalho duro.
Por exemplo, eu pratico ioga regularmente, o que é extremamente importante para o meu bem-estar e faz parte da minha rotina para melhor gerir a dor. No entanto, se os sintomas da fibromialgia agravarem, eu dou a mim própria permissão para não praticar ioga. Por vezes, uma folga, é exactamente aquilo de que preciso e, quando me sinto melhor, a motivação reaparece com mais facilidade.


4. Faça uma reavaliação do que realmente quer

Por vezes, perder a motivação, tem a ver com uma mudança naquilo que realmente se quer fazer. Não há nada de errado em mudar os objectivos e decidir que se prefere investir energia noutra coisa qualquer. Se não sentir motivação para atingir um objectivo ou completar uma tarefa, pergunte a si mesmo se é uma coisa que quer realmente fazer. Se a resposta for não, aceite que não faz mal. Quando se vive com um limite de energia, acredito que esta deve ser investida em alguma coisa que dê prazer quando se faz ou que nos faça sentir realizados. Não acredito na teoria que diz que se deve acabar tudo o que se começou. Mais vale gastar a energia em algo que nos dê mais prazer.


5. Defina prioridades e peça ajuda

Quando nos sentimos sobrecarregados a motivação pode desaparecer. Há alturas em que a vida nos parece demasiado difícil e as tarefas que temos para cumprir parecem impossíveis; nessas alturas é muito fácil cair no negativismo. Para mim é muito importante definir prioridades para as tarefas e usar uma lista de coisas para fazer. Assim que escrevo o que tenho para fazer, o stress diminui. Por um lado porque perco o medo de me esquecer de alguma coisa importante e por outro porque parece que tudo fica mais acessível quando olho para um papel escrito.

Eu costumava tentar ser a super-mulher e trabalhar durante um dia tanto quanto conseguisse. Resultado: sofrimento. A lista de coisas a fazer permite-me planear antecipadamente as tarefas para evitar este ciclo de excesso e cansaço. Também me obrigo a perguntar a mim própria se realmente preciso de fazer as tarefas ou se me estou a pressionar porque penso que, se calhar, deveria fazê-las. Encontrar um equilíbrio entre as tarefas que têm que se fazer e o que realmente nos dá prazer fazer, é essencial. Se gastarmos toda a energia em tarefas obrigatórias e ficarmos exaustos até não conseguirmos fazer algo que nos dá prazer, mais dia menos dia, aparece a desmotivação.


Pedir ajuda é outra excelente forma de reduzir a sobrecarga e reavivar a motivação. Quando chega a altura de pedir ajuda, lembre-se, comunicar é fundamental. Abra o seu coração para os outros e explique por que motivo algumas tarefas são uma luta tão dura para si. Só assim conseguirão compreender e também ficar mais preparados para o ajudarem. Se viver com alguém pode sempre negociar uma tarefa mais difícil para si por outra que não lhe custe tanto fazer. Não se esqueça de agradecer a quem lhe facilita a vida e tente retribuir, sempre que possível. Pode ser um gesto tão simples como fazer um chá, num dia em que se sinta melhor.

Pedir ajuda pode fazê-lo sentir que perde parte da sua independência, porém eu descobri que é exactamente o oposto. A ajuda previne o aparecimento da exaustão e isso significa que consigo manter-me motivada para "fazer coisas". Sou capaz de fazer mais coisas porque recebo ajuda dos outros. Para além do benefício para a minha saúde, aceitar a ajuda permite-me sentir mais próxima da minha família. Expôr aos outros as minhas lutas pessoais fez-me ganhar um outro nível de suporte. Espero que o mesmo seja possível para todos vocês.
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