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14 de novembro de 2015

Neurologia - o futuro da Fibromialgia




Os recém-diagnosticados não saberão, porventura, valorizar o alcance desta notícia mas para os que já passaram anos de reivindicação e luta pelos nossos direitos, este título já traduz um grande avanço. Sabemos que demorará a ser assimilado, confirmado, a ser real, porém, é já uma mudança radical na forma de encarar e tratar esta doença.
redacção de Fibromialgia Notícias

A fibromialgia caracteriza-se pela presença disseminada de dor e/ou sensação dolorosa à pressão em determinadas zonas do corpo (pontos gatilho). Esta dor pode parecer originária das articulações mas a fibromialgia não é uma doença articular, conforme destaca a Sociedade Espanhola de Reumatologia.

Em termos gerais pode dizer-se que a fibromialgia consiste numa anomalia na percepção da dor, de forma que se percebem como dolorosos, estímulos que habitualmente não o são. Para além da dor persistente, a fadiga extrema e as alterações de sono, esta doença afecta de forma drástica a qualidade de vida dos pacientes, já que pode originar rigidez generalizada. Os primeiros sintomas podem ser sentidos entre os 20 e os 40 anos de idade, embora na maioria dos casos seja difícil de diagnosticar o início da doença.

"As repercussões pessoais, familiares e sociais da fibromialgia são muito importantes, pela incapacidade que causa, pelo número de pacientes que dela sofrem e os que ainda estão por diagnosticar e pela ausência de uma terapia efectiva em muitos dos casos", refere o Dr. José Mª Gómez Argüelles, coordenador do Comité ad-hoc* para o Estudo da Fibromialgia da SEN - Sociedade Espanhola de Neurologia.
*ad-hoc: que se destina a um fim específico

Considera ainda que não basta aumentar a investigação neste campo mas é também necessário conseguir avanços no diagnóstico e na abordagem desta doença.
Calcula-se que 3 em cada 4 pacientes com um quadro de fibromialgia estejam por diagnosticar, que 48% dos pacientes sofram de incapacidade moderada a severa, 10% dos pacientes sofram de incapacidade muito severa e que 20% destes afirmam não conseguir trabalhar ou conseguir apenas fazê-lo em alguns dias.

A fibromialgia é a segunda causa de consulta nos serviços de Reumatologia mas é cada vez mais frequente que, pessoas com quadros associados à fibromialgia, comecem a ser encaminhadas para os serviços de Neurologia, não só por ser comummente associada a enxaquecas ou outro tipo de cefaleias em 80% dos casos; como por serem referidos transtornos do sono ou em 93% dos casos e ainda problemas de memória em 89% dos casos. Acredita-se que a fibromialgia seja devida a mudanças funcionais no sistema nervoso central dos pacientes.


Diagnosticar a fibromialgia continua a ser uma tarefa complicada, uma vez que não existe nenhum exame radiológico ou teste de laboratório para esta doença, tal como acontece com outras patologias neurológicas, como a enxaqueca, por exemplo. "Quando um paciente com fibromialgia consulta um neurologista, geralmente, já visitou múltiplos especialistas que procuraram tratamento para os seus sintomas. Existe ainda desconhecimento sobre estas patologias e muitos dos sintomas são comuns com outras doenças", explica o Dr. José Mª Gómez Argüelles.

Existem ainda muitas incógnitas sobre qual poderá ser a origem da Fibromialgia. A maioria dos estudos recentes apontam para que haja uma disfunção no processamento do sinal de dor no sistema nervoso central. "É como se, no cérebro destas pessoas, se amplificasse qualquer estímulo, daí o facto de se enquadrar esta patologia dentro do que se denomina como síndromes de sensibilização central, onde estão incluídas a síndrome de fadiga crónica ou a síndrome do intestino irritável", destaca o Dr. José Mª Gómez Argüelles

O tratamento da fibromialgia deve ter uma abordagem individualizada e, apesar de hoje em dia não existir nenhum tipo de terapia que consiga eliminar a doença, podem tomar-se medidas para melhorar os quadros de dor e tratar muitos dos problemas associados à fibromialgia.

"Os pacientes com fibromialgia não sentem a doença de igual forma. Existem graus distintos e uma ampla variedade de sintomas associados que se devem tentar tratar com fármacos que modulem o sistema nervoso central, com exercício físico e com psicoterapia", conclui o Dr. José Mª Gómez Argüelles.



tradução livre de Ana Sousa a partir do texto @ Fibromialgia Melilla


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