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31 de agosto de 2015

Dores musculares no peito e falta de ar na fibromialgia


Gripe e constipações podem frequentemente causar tosse, espirros ou nariz entupido. Podem até causar dificuldade em respirar. Com o tempo a infecção e a inflamação vão desaparecendo mas a falta de ar pode persistir.

Este sintoma (falta de ar) também acontece frequentemente em pessoas com fibromialgia

A sensação de falta de ar pode advir da rigidez na caixa torácica ou dos músculos intercostais que envolvem os pulmões (ver figura 1). Durante o estágio infeccioso estes músculos respiratórios estiveram tensos por causa da tosse e outras acções. Quando os músculos são sobrecarregados podem desenvolver pequenos nós ou nódulos que limitam a elasticidade normal. Estes pequenos nós chamam-se pontos gatilho miofasciais e podem ser difíceis de detectar perto da caixa torácica.

Estes pontos gatilho contêm um reservatório de substâncias químicas que induzem a dor e irritam os nervos à volta. Quando pressionadas ou alongadas durante a respiração, estas pequenas áreas podem fazer com que a dor irradie para outras zonas. Naturalmente, este tipo de dor pode ser assustador quando aparece na área do peito.

Os pacientes cuja dor no peito está associada à falta de ar acabam por consultar o médico. No entanto, se a causa da dor no peito é a rigidez muscular, a sua respiração vai parecer normal e uma radiografia irá mostrar que não existe infecção nos pulmões. O médico pode ainda pedir exames ao coração que mostrarão, provavelmente, resultados normais.

Estes resultados negativos são um bom sinal. Infelizmente não ajudam a resolver os sintomas e as pessoas que os sentem podem sentir-se um pouco hipocondríacas.
Um número cada vez maior de médicos está sensibilizado para o facto de estes pontos gatilho poderem restringir a respiração e acabam por recorrer à ajuda da fisioterapia. Um fisioterapeuta consegue facilmente localizar estes pontos gatilho e ajudar a corrigir a rigidez muscular que provoca a dor. Se o seu médico não estiver familiarizado com os pontos gatilho ou como podem estar associados à rigidez muscular intercostal, peça para ser conduzido para um fisioterapeuta que saiba tratar dor miofascial.

Respiração anormal ou o que o Dr. David Simons (autor do 'Trigger Point Manual'), se refere como sendo 'respiração paradoxal', pode também criar falta de ar.

Os padrões de respiração paradoxal seguem-se muitas vezes a uma cirurgia abdominal ou qualquer outra situação que cause dor durante a inalação. A dor provoca uma respiração superficial (que apenas expande a parte superior do peito e não os músculos abdominais) que sobrecarrega os músculos respiratórios. Os pontos gatilho desenvolvem-se nos músculos da caixa torácica e a respiração vai ficando cada vez mais dolorosa e difícil.

Se a causa da sua falta de ar não puder ser identificada com exames médicos, preste atenção à maneira como respira. Tanto o abdómen como o peito devem expandir quando inala e contrair quando exala. Isto pode ajudar a aliviar a carga nos seus músculos do peito mas não resolve o problema dos pontos gatilhos de dor.

Que mais se pode fazer?
Aplique calor húmido no seu peito para ajudar a relaxar os músculos. De facto, se conseguir imergir todo o seu tronco num banho quente ou sauna, isso irá aliviar a tensão dolorosa causada pelos pontos gatilho. Se fizer isto diariamente, um estudo demonstra que, em apenas 3 semanas, a respiração vai melhorar drasticamente.
Uma forma mais rápida de conseguir o mesmo efeito será alongar os músculos da caixa torácica depois de os relaxar com calor.

O fisioterapeuta Ken Lamm, do programa 'Respect Pain', nos Estados Unidos, recomenda uns alongamentos simples para manter os músculos da caixa torácica soltos e relaxados. Faça cada um dos alongamentos descritos na fig.2, três ou cinco vezes e repita com o outro lado do corpo.
Quando sentir algum tipo de problema respiratório, faça estas técnicas de aquecimento e alongamento antes que as dores no peito e a falta de ar atinjam o descontrole.

Estes tratamentos não medicamentosos aliviam significativamente a dor na fibromialgia. Um estudo demonstrou que existem duas terapias aquáticas que conseguem reduzir a tensão no peito, em apenas 3 semanas.

Uma equipa de investigadores na Turquia, dividiu 56 pacientes com fibromialgia em 3 grupos. Todos receberam o tratamento standard, isto é, ultrassons e laser infravermelho.

Para além disso, 2 dos grupos foram submetidos a uma espécie diferente de hidroterapia.

Uma delas consistia em hidroterapia semelhante a uma hidromassagem com jactos de água canalizada, morna.

A outra envolvia água morna mineralizada mas sem usar os jactos da hidromassagem.

Todos os pacientes foram tratados diariamente durante 3 semanas, com excepção dos domingos.

O nível de dor e a função pulmonar foram avaliados antes do início do tratamento, no fim do tratamento e ainda passados 6 meses.

A fisioterapia por si só ou combinada com os dois diferentes tipos de hidroterapia obteve melhorias no grau de dor ao fim das 3 semanas de tratamento.

No entanto, a função pulmonar respiratória e a facilidade em respirar só melhoraram nos dois grupos que fizeram hidroterapia.

Os melhores resultados obtiveram-se no grupo que fez hidroterapia com a água mineralizada, já que, passados 6 meses, os pacientes continuavam a mostrar melhorias na função pulmonar.
O grupo que fez a hidromassagem teve benefícios a curto prazo mas sem continuidade a longo prazo.

Se tiver falta de ar com frequência, especialmente durante o inverno e a época das gripes fique a saber que não precisa de uma banheira de hidromassagem para obter alívio.
Mergulhe em água quente durante 20 minutos por dia. Se puder use sais de Epsom (sulfato de magnésio) para simular a água mineral usada no estudo. No prazo de 3 semanas terá conseguido melhorar a respiração e aliviar as dores da fibromialgia.


Nota: foi exactamente isso que eu fiz antes e depois da viagem a Lisboa no dia 9 de Abril de 2015. O magnésio é essencial para o bem-estar de um fibromiálgico (e não só).








@Fibromyalgia Network artigo 1 e artigo 2
1. David G. Simons, Janet G. Travel, Lois S. Simons. Myofascial Pain and Dysfunction: The Trigger Point Manual VOLUME 1. Upper Half of Body, 2nd Edition 1999, pages 531-34. Williams & Wilkins ISBN 0-683-08363-5.
2. Kesiktas N, et al. J Back Musculoskel Rehabil 24:57-65, 2011.

ver também Como pode o stress afectar a fibromialgia


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1 comentários:

  1. Me encontro assim dificuldade respiratória, dores no torax e costas , raio x normal e ecg normal ansiedade a mil e depressao

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