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3 de junho de 2015

Fibromialgia - anomalias no fluxo sanguíneo




Os sintomas parecem claros - dor em diferentes partes do corpo, sem causa aparente. No entanto a fibromialgia continua rodeada por um espesso nevoeiro, tendo-se inclusive chegado a negar a sua existência. 

Num estudo recente conseguiu ver-se que no cérebro dos pacientes com fibromialgia flui mais sangue nas áreas ligadas à dor e menos nas áreas ligadas à resposta à dor.

O que provocará isto? Será uma doença ou um sintoma de outro transtorno? Como se pode curar? Muitas perguntas e poucas respostas, o que desespera um grupo de doentes que, antes de mais, sente dor.

Com uma 'Tomografia Computadorizada por Emissão de Fotão Único' - SPECT - os autores do estudo, publicado na revista 'The Journal of Nuclear Medicine', iluminaram as partes cerebrais tradicionalmente ligadas à dor.
Em comparação com as 10 mulheres saudáveis que também participaram na investigação, entre as 20 diagnosticadas com fibromialgia detectaram-se irregularidades muito significativas em diferentes áreas cerebrais.


Anomalias no fluxo sanguíneo

Dr. Olivier Mundler
"Confirmamos as anomalias no fluxo sanguíneo que já se tinham detectado em portadores de fibromialgia", explicam Olivier Mundler e a sua equipa, do Serviço Central de Biofísica e Medicina Nuclear e o Centro de Saúde La Phocéanne, ambos em Marselha, França.

Em concreto, os peritos detectaram um excesso de fluxo sanguíneo (hiperfusão) no lobo parietal e nos sulcos pré-central e pós-central, todas elas zonas relacionadas com a dor.





Dr. Norberto Bilbeny
O Dr. Norberto Bilbeny, anestesiologista e especialista em Medicina da Dor diz:
"Recentemente demonstrou-se que existe uma diminuição da função do hipocampo no sistema nervoso central dos pacientes com fibromialgia. O hipocampo desempenha um papel importante na gestão da dor, na memória e aprendizagem e também em diminuir a resposta ao stress.


Dr. Patrick Wood
O investigador Dr. Patrick Wood, da Associação Americana da Síndrome de Fibromialgia, usando novas técnicas de imagens cerebrais, com ressonância magnética espectroscópica, a qual permite medir substâncias químicas e metabolitos no cérebro, mostrou que os pacientes fibromiálgicos têm uma diminuição do N-acetilaspartato no hipocampo. Isto explicaria a dor, o cansaço, a ansiedade, a depressão e a deterioração física destes pacientes.



Desta forma, mediante imagens cerebrais do fluxo sanguíneo e imagens de moléculas químicas, confirma-se que os fibromiálgicos têm diferentes alterações em centros do sistema nervoso central relacionados com o processamento da dor, acentuando-se o conceito de que a fibromialgia é uma doença real, verdadeira e do sistema nervoso central"
afirma aquele especialista.

Ainda assim, na investigação dada a conhecer em 2013, pôde ver-se uma baixa circulação sanguínea (hipoperfusão) na parte anterior do lobo temporal esquerdo, fundamental no mecanismo de controle das emoções.

Conscientes das limitações do seu trabalho, como o baixo número de pacientes estudados e a falta de equilíbrio entre os participantes saudáveis e os doentes, os investigadores sublinham o valor dos dados apresentados.

"As anormalidades no fluxo cerebral dos pacientes com fibromialgia não dependem da ansiedade e da depressão e estão relacionadas com a severidade clínica da doença", apontam.

Dr. Eric Guedj


Um dos autores, Eric Guedj, sustém que "a fibromialgia pode estar relacionada com uma disfunção global no processamento cerebral da dor". Conclui que o seu trabalho "reforça a ideia de que se trata de um transtorno ou doença real".


em Setembro de 2013

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