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1 de abril de 2015

A fibromialgia nos homens


Homens com fibromialgia falam dos seus sintomas, diagnóstico e da maneira como lidaram com as reacções dos outros

Randy Wold, 58 anos, era um mecânico de automóveis, um excelente golfista e muito bom a jogar bowling. Há aproximadamente 10 anos começou a sofrer de uma intensa dor e acabou por receber um diagnóstico surpresa. O médico disse-lhe que ele tinha fibromialgia.

A fibromialgia, que causa dor crónica e fadiga, atinge sobretudo mulheres. Estima-se que, nos Estados Unidos, hajam 5 milhões de adultos com fibromialgia; desses apenas 10% são homens. Por esse motivo persiste a ideia, errada, de que a fibromialgia é uma doença de mulheres.
"Quando fui a primeira vez a uma reunião de um grupo de ajuda, só lá estavam mulheres", diz Randy, que está agora na direcção da "National Fibromyalgia Association" e é o único membro da direcção homem. "Algumas mulheres nem me queriam lá."

Um neurologista que Wold consultou, disse-lhe que o diagnóstico estava errado e acusou-o de querer apenas que o considerassem incapaz para o trabalho para receber pagamentos do estado.

"Para um homem é muito difícil ter fibromialgia", diz Randy. Já não consegue trabalhar e raramente vai ao bowling ou ao golfe. "Um dos meus melhores amigos não acredita que eu tenho fibromialgia. A mulher dele, que é médica, diz que os homens não podem ter fibromialgia e que tudo está na minha cabeça. Isto magoa muito."

A fibromialgia é rara entre os homens

Não se conhece a causa da fibromialgia nem porque motivo tão poucos homens sofrem desta doença. Algumas infecções virais, traumas (como acidentes de automóvel) e stress emocional, podem desencadear esta doença. Nalguns casos, contudo, ela aparece sem aviso.
Seja qual for a causa, existem alguns marcadores biológicos que os fibromiálgicos frequentemente têm em comum. Segundo Muhammad Yunus, um professor de medicina na 'University of Illinois College of Medicine', a fibromialgia é caracterizada por um desequilíbrio químico no cérebro.
"É uma doença neuroquímica", diz Yunus, e faz notar que as pessoas com fibromialgia têm níveis acima da média de 'substância P', um neurotransmissor que sinaliza a dor; e um nível abaixo da média de serotonina, um neurotransmissor que inibe a dor.

A genética e as hormonas, de acordo com Yunus, também desempenham o seu papel, tanto no aparecimento da doença como na diferença de número entre géneros.
"Existem genes que tornam as pessoas mais susceptíveis à dor e alguns estão relacionados com o género", disse. "As mulheres são mais sensíveis porque o estrogénio diminui o limiar de dor." Essa maior sensibilidade à dor pode ser a causa de as mulheres serem mais facilmente afectadas pela fibromialgia.

Um teste comum que os médicos utilizam é o de aplicar pressão no que são chamados os 'pontos gatilho de dor': 18 pontos específicos no corpo onde o mais pequeno toque pode causar dor. Para se ser diagnosticado com fibromialgia, pelo menos em 11 desses pontos, a pressão deve causar uma dor significativa. Como os homens têm um limiar de dor maior, nem sempre isto acontece.
"As mulheres são literalmente mais sensíveis do que os homens", diz Yunus.

A dor crónica pode ser o principal sintoma mas a fibromialgia, por vezes, é acompanhada por complicações adicionais. Fadiga crónica, sono não reparador, dor de cabeça, 'síndrome do intestino irritável'*, 'o síndrome das pernas irrequietas'**, problemas de memória e dificuldade de concentração fazem parte dos sintomas.

Normalmente, diz Yunus, os homens sentem menos sintomas do que as mulheres. Tendem a sentir menos fadiga e a dor aparece em menos pontos. "Nos homens é menos comum a dor difusa pelo corpo todo", diz ainda. "De muitas maneiras os homens são mais afectados, mais incomodados pela fibromialgia", sendo provavelmente a razão mais sociológica do que biológica.

Casos não diagnosticados

"Os homens não vão ao médico tão frequentemente como as mulheres", diz Michael Pellegrino, médico e especialista em fibromialgia no 'Ohio Pain and Rehab Specialists'. "Porquê? Estereótipos de género."
Os homens dizem a si próprios, 'Não é suposto eu ir a um médico, não devo queixar-me'. "Então, um grande número dos homens que me procuram, foram obrigados pelas mulheres a consultar o médico", diz Pellegrino, que estima que 20% de homens com fibromialgia não estejam sequer diagnosticados.
Quanto mais os homens adiarem a visita ao médico mais riscos correm de desenvolver complicações que podem interferir no seu trabalho, hobbies ou mesmo nas suas relações. Pellegrino, ele próprio fibromiálgico, diz que a depressão é comum entre os homens que adiaram um diagnóstico.
"Os homens com fibromialgia sentem-se, frequentemente 'de rastos', e até suicidas" diz Gavin Levy, um escritor que foi diagnosticado com fibromialgia aos 33 anos. "Todos passamos por isso. É como se parte da nossa masculinidade nos tivesse sido retirada. Somos supostamente os protectores, os pilares da casa e, de repente, esse papel inverte-se."
"A coisa mais importante que um homem com fibromialgia pode fazer", diz Pellegrino, "é ser diagnosticado. Quanto mais rápido for o diagnóstico mais cedo pode começar um tratamento".

A vida com fibromialgia

"Não há cura para a fibromialgia mas existem medicamentos que podem ajudar a controlar os sintomas. Igualmente importantes são as mudanças no estilo de vida. Exercício regular e uma boa alimentação, são essenciais", diz Yunus.

"Existe uma relação clara entre peso excessivo e a dor e a fadiga. O peso excessivo é um factor de risco para a fibromialgia", diz Yunus. 
Um estudo recente ligou a obesidade a uma maior hipótese de ter fibromialgia. Isso não significa que todos os que tenham fibromialgia sejam obesos ou que um excesso de peso, por si próprio, cause fibromialgia.
Randy Wold usa a passadeira durante, pelo menos, 10 a 15 minutos por dia. Faz também alguma musculação para manter a força e o peso. Mesmo sabendo que isso o vai deixar exausto, de vez em quando, vai até ao campo de golfe. "Quando acabo, sinto-me melhor", diz Randy, "faz-me acreditar que um pouco da minha vida anterior continua a existir."

* 'síndrome do intestino irritável'
- afecta sobretudo mulheres. As causas são desconhecidas. Os sintomas incluem diarreia, obstipação e cólicas abdominais. O tratamento inclui uma dieta cuidada, mudanças no estilo de vida e medicação.
**'síndrome das pernas irrequietas'
- é uma desordem do sistema nervoso que afecta as pernas. Os sintomas incluem uma sensação desconfortável e uma necessidade incontrolável de mexer as pernas, sempre que a pessoa se deita para dormir. Como o movimento afecta a qualidade do descanso é também considerada um distúrbio do sono.




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